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As Taras Da Lina

Comunicadora, Sonhadora, Sardenta, Desastrada q.b., Geminiana, Cinéfila, Leitora Compulsiva, Fotógrafa Amadora, Dog Person e Cidadã do Mundo mas a viver em Portugal. Be my guest ;)

As Taras Da Lina

Comunicadora, Sonhadora, Sardenta, Desastrada q.b., Geminiana, Cinéfila, Leitora Compulsiva, Fotógrafa Amadora, Dog Person e Cidadã do Mundo mas a viver em Portugal. Be my guest ;)

O Amor não é o dia 14

Esta semana é non-stop, Carnaval para uns, Valentins para outros. É à escolha do freguês. 
 
Quanto a mim o Carnaval já foi. E quanto ao dia dos Namorados bem vou estar fora em trabalho. Sempre posso adoptar o modo "Bridget Jones" e comer gelado enquanto canto o "All by myself" na noite do dia 14 ;) Namorado há mas não está incluido na viagem. 
 
Bem mas para marcar a data, até porque não sei se consigo vir cá antes, deixo-vos a minha última crónica da Bird sobre a minha visão acerca desta data. 
 
Bom Carnaval a todos! E Feliz São Valentim! 
 
"Da próxima vez que a minha crónica sair será, em princípio, mesmo na mouche no dia dos namorados. E para não estragar o dia com o meu romantismo exagerado (já vos disse que sou irónica?) despacho já este assunto hoje. O que significa o dia para mim? Nada. Absolutamente nada. Podem achar que isto é conversa de solteirona ressabiada mas não é. Podia ser mas não, não é. Eu explico o porquê de não me dizer nada. Gosto de receber presentes? Gosto. Gosto de dar presentes? Também. Aliás confesso que até me dá um certo gozo a ver a cara da pessoa quando é surpreendida com algo que não estava à espera. E isto vale para namorados, amigos e familiares. Gosto bastante de pensar no que oferecer, de preferência algo diferente e de ver a reação da pessoa que não estava nada à espera. Agora é obrigatório ser no dia 14? Não. Não é muito melhor receber algo inesperado num dia que supostamente não tem nada de especial para ser comemorado? Uma mulher não se sente mais valorizada quando num dia qualquer tem um presente à espera que a faz ver que a pessoa se lembrou dela sem ser num dia que a televisão, as ruas e toda a gente nos lembra que somos “obrigados” a oferecer algo? Peço desculpa a todas aquelas pessoas lamechas que neste dia só vêm corações. Não tenho nada contra elas… Juro! Mas para mim o amor não é isso.
 
O amor não é o urso de peluche com aquele coração enorme a dizer “I love you”. O amor não é ir jantar fora naquele dia porque toda a gente vai e também temos que ir. O amor não é declarações lamechas em textos de metro e meio nas redes sociais com foto fofinha e depois andar a mandar mensagens ao jeitoso ou à jeitosa que temos como amigos virtuais a ver se quer tomar café connosco. O amor não é o consumismo exagerado que nos entra pelos olhos dentro nas próximas duas semanas na publicidade da TV e nas montras das lojas. O amor é outra coisa.
 
O amor é estar juntos quando tudo corre bem mas principalmente quando as coisas correm mal. É olhar para uma pessoa, perceber os defeitos dela e mesmo assim não a querer trocar por alguém que, aparentemente, nos parece melhor. É querer muito abraçar alguém e no minuto seguinte só apetecer dar-lhe uma bofetada porque nos irritou. (Vá isto pode ser agravado por eu ser de um signo bipolar). É ficarmos contentes e orgulhosos com as vitórias da pessoa e tentar dar ânimo quando as derrotas o desanimarem. É saber que um “Fica bem” e um “Cuida-te” vale mais que todos os corações a dizer I love you que são oferecidos. (Aliás alguém me explica em que tipo de decoração numa casa de uma pessoa adulta é que aquilo fica bem?). E acima de tudo o amor não é algo que se é manifestado a 14 de Fevereiro. Se querem manifestar nesse dia óptimo. Mas é para continuar ao longo dos tempos. Não é dar um presente nesse dia, ir jantar fora e depois andar a faltar ao respeito, desprezar e não mimar ao longo dos outros 364 dias.
 
Acreditem que não tenho nada contra o dia. A sério que não. Tenho é contra a ideia de que neste dia é que deve ser tudo dito, que se deve parecer bonito e o resto dos dias que se lixe. Já passei dia dos namorados solteira, já passei dia dos namorados a namorar. As vezes que fui jantar fora foi com amigas. O que até tem a sua piada porque quando somos só duas passamos por casal. Qual a diferença? Nenhuma. Nunca recebi rosas nesse dia, fora desse dia já. Até gosto de flores mas são presentes que não duram. É irónico no dia do amor receber algo que passado uns tempos murcha não? È que se nos dá para interpretar o presente como a metáfora do sentimento da pessoa deprimimos…
 
Agora a sério. Amem, amem muito. Querem oferecer rosas, ofereçam. Querem fazer textos de metro e meio e propagar ao mundo o quanto gostam de alguém façam. Querem oferecer ursos pirosos mas extremamente românticos ofereçam. Mas façam disso um ato recorrente. Não façam disso apenas a celebração do São Valentim. E se não há cara-metade para celebrar o amor não se preocupem. Há amigos, há família e acima de há aquele amor bastante importante… o amor próprio! Portanto celebrem o amor. É importante que ele seja celebrado. Mas façam-no sempre."

A forma da água

Confesso que não sou grande fã de filmes de Fantasia.

Gosto mais de Dramas ou de Biografias.

Não obstante de todos os filmes nomeados para os Óscares que já vi este está, so far, como meu preferido. 

Dos nomeados ainda me falta o "Dunkirk", "The Phantom Thread" e "The Post".

O"Get Out" também me surpreendeu bastante. Não dava nada pelo filme e depois deu uma reviravolta que prendeu todo o meu interesse.

Mas mesmo assim o "The Shape of Water" conquistou-me.

Não sei o porquê mas tocou-me. Não sei se é pela personagem muda, se pelo retrato de solidão que transmite ou até pelo romance "irreal" que existe. 

Em compensação o "Lady Bird" não me conseguiu convencer nadinha...

E vocês já viram os nomeados? Qual o favorito?

 

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Do Amor que damos só o Amor herdamos

Há cerca de dois meses apadrinhei uma criança órfã moçambicana através de uma organização não-governamental portuguesa. O meu apadrinhamento, uma quantia financeira mensal, permitirá à criança ter direito a cuidados de saúde e a uma educação. Comprometi-me a ajudar desde o 1º ano até ao 12º ano de escolaridade. Era algo que queria fazer já há algum tempo mas estava suspenso, não por má vontade mas, porque queria mais estabilidade financeira. Decidi então que se estivesse à espera de estabilidade ou de um aumento salarial continuaria a adiar. Era este o momento. As pessoas que me conhecem bem apoiaram-me, algumas disseram que admiravam a coragem de me comprometer e nenhuma delas questionou a minha decisão.

Mas há sempre outras pessoas. Aquelas que não compreendem o porquê. E depois fazem-me perguntas do género: “Achas que esse dinheiro chega mesmo lá?”, “Já fizeste contas ao fim de 12 anos de quanto dinheiro vais gastar com uma criança que podes até nunca conhecer pessoalmente?”, “Não havia cá pessoas próximas de ti para ajudar?” ou então “É tudo muito bonito mas e se precisares de um momento para o outro do dinheiro?”. O dinheiro chega lá e vão mandando fotos da criança a mostrar que adquiriram mais isto ou aquilo com a minha “mesada”. Posso conhecer a criança pessoalmente, se me quiser deslocar a Moçambique, a ONG trata de organizar a visita. Agora não mas acho que em 12 anos haverá uma altura em que conseguirei. Também já fiz as contas. É uma quantia considerável no total. Dividida por 12 anos e subdividida por 12 meses aposto que muitos dos que me perguntam sobre contas gastam muito mais com um par de calças. Também sei que há pessoas a precisar de ajuda cá. Não preciso que estejam sempre a lembrar-me disso. Mas apoiei uma causa com a qual me identifico. De certeza que outras pessoas se identificarão mais com causas mais próximas. Eventualmente poderei precisar do dinheiro no futuro mas não será este que me fará falta, será aquele que foi mal gasto com roupa que já não uso ou coisas que nem nunca sequer precisei. Tive uma infância feliz. A minha família não é abastada mas nunca passei fome. Tenho um pai e uma mãe que, feitios e defeitos à parte, sempre me apoiaram nas decisões e sempre foram honestos quando não concordavam com algo. Tive direito a brincar. Tive direito a sonhar que poderia ser o que quisesse no futuro. Tive direito à educação para poder chegar ou pelo menos aproximar-me desse sonho. Tive acesso a cuidados de saúde. É tão banal para nós termos isto que nem nos damos conta da sorte que temos. A minha afilhada não tem pai. Sonha ser professora. Entrou para a escola. Se não for professora pelo menos será alguma coisa. Poderá no futuro cuidar da avó e mãe, iletradas, que agora cuidam dela. Terá agora um maior cuidado a nível de higiene o que também ajudará a não necessitar tanto de cuidados de saúde.

Estou feliz porque no fundo acho que com uma pequena contribuição estou a ajudar alguém a viver melhor. Acham mesmo que o valor mensal que me tiram paga isso? Nada no Mundo paga a sensação de saber que alguém está melhor graças a nós. “Do amor que damos só o amor herdamos” é uma frase conhecida que me diz muito. Este meu amor vai em forma monetária todos os meses para uma criança que só vejo em fotografias. Mas que a cada fotografia nova que me mandam está cada vez mais e mais sorridente. E esse sorriso é o maior agradecimento que posso ter.

 

P.S: Este texto foi a minha primeira crónica da Bird Magazine em Julho do ano passado e pareceu-me o indicado para aqui expôr o apadrinhamento. Comecei esta aventura em Maio. Tem sido deveras gratificante. Se quiserem saber mais a ONG é a Big Hand

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I'm back

Isto de ter blog dá algum trabalho.

É bom para mantermos o bichinho da escrita mas nem sempre temos o tempo e, confesso que às vezes é mais, a disposição para dedicarmos a um blog o tempo que ele merece. 

2017 foi uma correria. Quem me segue no instagram sabe que andei de um lado para o outro em lazer, mas muito mais em trabalho. E enquanto as minhas funções anteriores me davam mais tempo para passar por cá agora não é bem assim. Mas não me queixo. Trabalho com fartura é coisa que muitos queriam e não têm. 

Tive também alguns momentos não tão bons que me tiraram o ânimo de escrever por vezes, incluindo dois falecimentos na família. É a vida. E ela continua...

Entretanto tornei-me cronista na Bird Magazine .Não foi uma traição ao blog, tendo em conta que só contribuo de 15 em 15 dias, não ocupa muito do meu tempo. Dêem uma espreitadela lá ;) E se alguém se quiser tornar cronista é só propôr-se :)

Isto foi uma das coisas boas dos últimos tempos. Outra foi que amadrinhei uma criança africana. E tem sido enriquecedor. Mas falarei disto mais à frente. 

Por agora, I'm back. E é bom estar de volta :) Vou tentar ter mais tempo para isto. E para me atualizar que já soube que houve gravidezes, casamentos e montes de mudanças aqui blogosfera. Vou tentar-me inteirar :)

Beijinhos*

Caminho de Santiago - Parte II

Olá!

Há algum tempo que não passo cá... Quem me tem seguido no instagram ainda vai vendo uma ou outra peripécia em que me coloco. Decidi passar hoje porque acabei de chegar de férias. Essas que foram aproveitadas não para descansar mas para continuar algo que comecei o ano passado, o meu caminho de Santiago. 

O ano passado, mais concretamente em Março, decidi embarcar numa aventura que já tinha planeado há anos. Na altura fui de Valença até Santiago de Compostela numa jornada que me inspirou e me desafiou mas que foi completamente gratificante. (Podem ver mas aqui).

Este ano decidi que estava na altura de percorrer outra vez os caminhos mas em modo diferente. Em vez de ir até Santiago, saí de lá e fui até Finisterra, que supostamente era onde acabava o caminho original antes da Igreja se colocar nesta peregrinação, mas isso é outra história. As minhas companheiras de caminho com as quais originalmente iria outra vez tiveram à última da hora outros caminhos para percorrer e não puderam. De qualquer forma não fui sozinha. Levei um amigo e duas primas que são como irmãs para mim. 

Foram 4 dias e quase 100 km com altos e baixos na moral e principalmente nos trilhos que percorríamos, com ais, uis e não aguento que afinal era mentira porque todos aguentamos, com pessoas fantásticas e coincidências que só mesmo o caminho para nos apresentar, com espírito de equipa e ânimo, com força transmitida por quem passávamos e encorajadores "Falta pouco!", com pés moídos, pernas cansadas e cara queimada do sol mas que valeram a pena quando chegamos ao marco do km 0 e avistamos a imensidão do mar em Finisterra.

Chegar à meta tem aquela sensação de não andamos mais. Aquela sensação de dever cumprido. Aquela sensação que não faço ideia de como exprimir. Naquele momento não importa se algum dia chegaremos perto da versão de pessoa que gostavamos de ser, os problemas que nos tentam pôr em baixo ou se algumas pessoas não gostam de nós da forma que desejavamos que o fizessem.  Naquele momento chegamos a Finisterra. Cumprimos o objectivo. E estar na escarpa do farol de pés ao alto a levar com a brisa do mar na cara e no cabelo é o melhor prémio que poderíamos receber.

Não sei se farei do caminho uma rotina anual ou se torno a fazer outro daqui a 20 anos ou nunca mais. Sei apenas que a partir de momento que vives o caminho ele passa a viver em ti.

Deixo-vos algumas fotos. E caso estejam interessados em fazer o mesmo força! E Buen Camiño!

 

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(Fotos da minha autoria e da autoria de companheiros do caminho)

 

Lion

Tanto burburinho em volta do "La La Land" e do "Moonlight" e, verdade seja dita ainda bem que ganhou o segundo porque apesar de adorar musicais não achei nada de especial o primeiro, eu cá ainda estou a digerir esta pérola. 

Chorei que nem uma Madalena arrependida. E este filme tocou-me muito mais que os outros nomeados.

Para além de que este miúdo só me dá vontade de pegar nele, abraça-lo e levá-lo para casa. E não, não estou a falar do Patel. Estou mesmo a falar do Saroo pequenino :)

 

P.S. Expliquem-me lá, se souberem, como é que a Emma Stone levou o Óscar quando tanto a Isabelle Huppert como a Natalie Portman foram soberbas nos seus papéis. E não vi os filmes das outras duas nomeadas... Coisas que não entendo.

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Berlim

Berlim foi um desafio. Decidi que estava na altura de fazer a minha primeira viagem sozinha. E apesar de não falar alemão atirei-me de cabeça. Afinal toda a gente percebe inglês... E gestos também. 

Aprendi logo mal cheguei que se estás sozinha no comboio que supostamente pára na estação próxima do hostel em que vais ficar e começas a ouvir o nome da paragem que queres 4 ou 5 vezes misturadas com outras palavras em alemão das quais não apanhas nada é bom que ponhas cara de parva como quem diz "Socorro!". Só assim terás uma alma caridosa que vai olhar para ti e dizer em inglês: "Não percebeu pois não? Vai ter que trocar, é que este afinal já não anda mais."

Apredi que a teoria que os cães polícias são pastores alemães só funciona nas séries de tv. Todos os cães polícias que vi  nenhum, repito nenhum, era pastor alemão. Aliás nem sequer vi pastores alemães.

Aprendi também que é muito bonito dizer de boca cheia: "Ah e tal sou muito corajosa em viajar sozinha. Vai ser um desafio, não ter a quem recorrer e bla bla bla" mas na realidade acabei por encontrar pessoal da minha terra, estamos em todo o lado e a ir jantar lá a casa num dos dias.

Aprendi ainda que tenho ares de alemã ao ser interpelada por dois jornalistas que depois de falar para mim super rápido e em alemão apenas sorri e disse: "Sorry I'm not german." Aprendi, aliás descobri, que também posso ter ar de russa. Ao chegar a uma bilheteira e pedir em inglês a senhora respondeu num idioma que me deixou a olhar para ela com cara de tacho ao que ela depois responde: "Oh you're not russian."

Constatei que a Alemanha é o país que visitei com a quantidade maior de homens giros por m2, ou então saíram todos à rua enquanto por lá andei. 

Visitei a "Topografia do horror" será talvez um dos lugares mais pesados em que estive até agora. No entanto não deixa de ser, a meu ver, um dos lugares obrigatórios a visitar. Para quem não sabe é possível ver toda a história desde a ascenção até à queda do governo de Hitler. Um edifício com documentação e imensas fotos da 2a guerra, do holocausto, dos presos políticos que ajudavam os judeus, etc, etc. Para onde quer que olhe é mesmo o horror que se vê. Visitei também Centro de Documentação do Muro de Berlim. É possível conhecer histórias de sobreviventes que passaram o muro por lugares escondidos, a história política e rostos dos que foram mortos. No fim vemos um documentário sobre os dias da queda e a alegria do reencontro de Este e Oeste.

Visitei ainda muitos mais monumentos da cidade. Uma curiosidade é que todos eles, ou quase todos, têm marcas de balas, de forma a que não esqueçamos o passado.

Foi uma aventura, ri-me, perdi-me,emocionei-me e não caí na neve nem sei como. Provei salsicha, que é boa, e Berliner que é a Bola de Berlim e digo-vos já que a nossa dá 10 a 0 à alemã :) Andei de trenó, sorri para alemães trombudos no metro e acima de tudo provei a mim mesma que me desenrasco sozinha. E se eu consigo vocês tambem conseguem.

Deixo-vos algumas fotos e votos de muitas aventuras ;)

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 (Fotos da minha autoria)

 

Companhias de viagem

Viajo sempre acompanhada. Posso até ir sozinha fisicamente mas "levo" sempre alguém comigo.
Levo os meus pais na cabeça e as mil e uma recomendações e avisos como "Liga quando chegares" ou "Cuidado a andar sozinha na rua à noite."
Levo os meus amigos, em cada fotografia que tiro acho que ficávamos mesmo bem ali em grupo, penso o quanto uma ia gostar de experimentar aquele doce típico que estou a comer ou que o outro ia achar um piadão àquele quadro do museu. Lembro até daqueles mais mandriões quando vejo um banco de jardim e penso "Ao que já andei se aqui estivesse fulano já estava ali alapado".
Levo a minha família, a minha irmã e o seu feitiozinho que nunca sei o que lhe trazer, os meus primos com quem partilhei a infância e recordo quando falávamos de mundos longínquos, mundos esses que atualmente vou tendo a sorte de conhecer.
Levo os tios que sempre me disseram: "Vais viajar? É isso tudo aproveita enquanto podes!".
Levo-os a todos, quando tiro as fotos, quando compro as recordações, quando olho à minha volta e absorvo tudo, ou quando estou simplesmente a tomar o café numa esplanada e a escrever textos que surgem do nada. Levo-os sempre na cabeça e no coração. A partir de hoje, levo uma que sempre levei mas num lugar novo. Passa a ir também na mochila, pronta a ouvir os meus devaneios por esse mundo fora.
 
P.S. A próxima aventura é já domingo. Sugestões para uma moça 4 dias em Berlim há? ;)

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  (foto da minha autoria)

 

Um chá e um livro

Um chá e um livro. Talvez o que este frio me peça é um chá e um livro.

Enquanto acompanho outras vidas aqueço-me com o prazer da leitura e a temperatura da bebida.

Um chá, um livro e quiçá um bloco de notas. Porque a cabeça anda a mil e mesmo com ela ocupada surgem ideias, frases isoladas que compõem textos, dicas para a próxima viagem, recados que não posso esquecer...

Um chá, um livro e o bloco de notas.

Talvez também um abraço. Acho que frio me pede isso. Um abraço de alguém especial, seja família, amigo ou algo mais. Que nos conforte, dê calor e sensação de segurança.

Um chá, um livro, um bloco de notas e um abraço. Sim, é mesmo isso que o frio me pede.

E sim, há formas simples de ser feliz. Ou pelo menos, de me sentir mais quente.

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 (Foto da minha autoria)

Ainda vou a tempo de vos desejar bom ano?

Quando somos crianças achamos que somos os donos do mundo e que conseguimos tudo. Depois o brinquedo parte e ficamos desiludidas porque era suposto aquilo durar para sempre. Entretanto o joelho esfola e choramos de dor a pensar como é possível que algo tão mau nos aconteça.

Vamos crescendo e o coração parte porque o nosso “fraquinho” acha que não somos boas o suficiente para ele. A auto-estima dói porque as miúdas populares da escola não querem ser nossas amigas. Sofremos em silêncio porque temos boas notas e somos gozadas e chamadas de marronas.

Chegamos à idade adulta e, mais maduras, desvalorizamos todas aquelas dores do passado por serem patéticas. Mas ficamos frustradas porque não temos dinheiro para fazer o investimento que queremos. Ficamos tristes porque para o conseguir deixamos muitas das coisas que nos faziam bem. Damos por nós a trabalhar num local que não tem nada a ver com o que almejávamos e a ir abaixo porque alguém superior não valoriza o nosso trabalho. A ditadura de beleza deita-nos ao chão porque não temos as medidas perfeitas (?!?) das modelos das Victoria’s Secret. E o pior, somos impotentes perante a dor e a doença dos que nos rodeiam e a quem queremos bem.

Talvez a esta hora já deveríamos saber que nada é garantido nesta vida. Que quem nasce só tem uma única certeza é a de que também morre. E mesmo sabendo que é o que nos espera sofremos, revoltamo-nos e entristecemos quando isso acontece.

Talvez a esta hora seria uma boa altura de deixarmos de nos sentir mal pelo que não temos e começar a agradecer tudo o que vivemos. Agradecer as pessoas maravilhosas que passam por nós e lá continuam. Agradecer os lugares que temos oportunidade de conhecer. Agradecer aqueles momentos que nos arrepiam todos os pêlos dos braços. Agradecer por respirar.

Se à morte ninguém escapa talvez seja hora de aprender a viver com isso, a arriscar mais e a vencer os nossos medos. Talvez seja hora de ter tranquilidade no coração, calma na alma e confiança em nós e no que valemos. Em aproveitar o lado bom da vida e a viver de consciência tranquila que enquanto cá estivermos fazemos o que for possível para valer a pena.

Ainda vou a tempo de vos desejar bom ano?

P.S. É bom estar de volta. Nem que seja só com um post :)