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As Taras Da Lina

Comunicadora, Sonhadora, Sardenta, Desastrada q.b., Geminiana, Cinéfila, Leitora Compulsiva, Fotógrafa Amadora, Dog Person e Cidadã do Mundo mas a viver em Portugal. Be my guest ;)

As Taras Da Lina

Comunicadora, Sonhadora, Sardenta, Desastrada q.b., Geminiana, Cinéfila, Leitora Compulsiva, Fotógrafa Amadora, Dog Person e Cidadã do Mundo mas a viver em Portugal. Be my guest ;)

A tradição vai morrendo um bocadinho dentro de nós?

Este fim de semana celebra-se a festa que cá para a família faz parte do Top 3 juntamente com o Natal e a Páscoa. Uma festa importante que até estreávamos roupa nesse dia. E aí de nós se a sujássemos! 

Há uns valentes anos estaria empolgadíssima com este fim de semana. O fim de semana da festa do 4º Domingo de Maio.

Ao sábado havia sempre alguém na Comunhão. Isso fazia com que nos juntássemos 50 (e não estou a exagerar) a almoçar. A família vinha de todos os pontos do país. A mesa era recheada de amor e de comida. Mais de comida, nomeadamente de sobremesas.

Durante a tarde eu e a carrada de primos brincávamos, brigávamos, cantávamos, partilhávamos as últimas novidades, os últimos namoricos, coisas dessas. Íamos à procissão com gosto porque era das velas e isso era uma cena muito fixe até para gozar com quem queimava o papel da vela primeiro.

Ao Domingo acordávamos com os foguetes e tínhamos direito a uma missa campal de 4 horas. E perdoem-nos os que pertencem à Instituição Religiosa mas éramos miúdos e essa era para nós a parte mais aborrecida do fim de semana. Ao almoço a história repetia-se. Comer até fartar.

À hora do café reencontrávamos velhos conhecidos que tal como nós elegiam estes dias para regressar à terra. De tarde dávamos asas à imaginação e à brincadeira. Íamos à feira e cravávamos um brinquedo ao pai, ou ao tio, ou a quem desse. Por vezes calhava no meu aniversário e de um primo e competíamos a idade e as prendas. Eram dois dias de euforia.

Não sei se é por estar mais velha mas cada vez menos me lembra o 4º Domingo. Uns vão morrendo, outros vão adoecendo e não têm vontade de festejar e outros emigraram e não conseguem regressar nesta data. Continuam as comunhões, a comida, a família reunida mas o espírito não é o mesmo.

Esta semana ouvi o meu pai dizer. "Nem parece que entrámos na semana dos morteiros e já é o 4º Domingo." Não lembra a ele, nem a mim nem a quase nenhum dos meus. Também me tem acontecido que não me lembre o Natal nem a Páscoa.

As cerimónias continuam iguais. Acho que há tradições que apesar de se manterem intactas por fora vão morrendo um bocadinho dentro de nós.

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