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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Qui | 26.01.17

Companhias de viagem

RP
Viajo sempre acompanhada. Posso até ir sozinha fisicamente mas "levo" sempre alguém comigo.
Levo os meus pais na cabeça e as mil e uma recomendações e avisos como "Liga quando chegares" ou "Cuidado a andar sozinha na rua à noite."
Levo os meus amigos, em cada fotografia que tiro acho que ficávamos mesmo bem ali em grupo, penso o quanto uma ia gostar de experimentar aquele doce típico que estou a comer ou que o outro ia achar um piadão àquele quadro do museu. Lembro até daqueles mais mandriões quando vejo um banco de jardim e penso "Ao que já andei se aqui estivesse fulano já estava ali alapado".
Levo a minha família, a minha irmã e o seu feitiozinho que nunca sei o que lhe trazer, os meus primos com quem partilhei a infância e recordo quando falávamos de mundos longínquos, mundos esses que atualmente vou tendo a sorte de conhecer.
Levo os tios que sempre me disseram: "Vais viajar? É isso tudo aproveita enquanto podes!".
Levo-os a todos, quando tiro as fotos, quando compro as recordações, quando olho à minha volta e absorvo tudo, ou quando estou simplesmente a tomar o café numa esplanada e a escrever textos que surgem do nada. Levo-os sempre na cabeça e no coração. A partir de hoje, levo uma que sempre levei mas num lugar novo. Passa a ir também na mochila, pronta a ouvir os meus devaneios por esse mundo fora.
 
P.S. A próxima aventura é já domingo. Sugestões para uma moça 4 dias em Berlim há? ;)

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  (foto da minha autoria)

 

Qua | 18.01.17

Um chá e um livro

RP

Um chá e um livro. Talvez o que este frio me peça é um chá e um livro.

Enquanto acompanho outras vidas aqueço-me com o prazer da leitura e a temperatura da bebida.

Um chá, um livro e quiçá um bloco de notas. Porque a cabeça anda a mil e mesmo com ela ocupada surgem ideias, frases isoladas que compõem textos, dicas para a próxima viagem, recados que não posso esquecer...

Um chá, um livro e o bloco de notas.

Talvez também um abraço. Acho que frio me pede isso. Um abraço de alguém especial, seja família, amigo ou algo mais. Que nos conforte, dê calor e sensação de segurança.

Um chá, um livro, um bloco de notas e um abraço. Sim, é mesmo isso que o frio me pede.

E sim, há formas simples de ser feliz. Ou pelo menos, de me sentir mais quente.

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 (Foto da minha autoria)

Sab | 14.01.17

Ainda vou a tempo de vos desejar bom ano?

RP

Quando somos crianças achamos que somos os donos do mundo e que conseguimos tudo. Depois o brinquedo parte e ficamos desiludidas porque era suposto aquilo durar para sempre. Entretanto o joelho esfola e choramos de dor a pensar como é possível que algo tão mau nos aconteça.

Vamos crescendo e o coração parte porque o nosso “fraquinho” acha que não somos boas o suficiente para ele. A auto-estima dói porque as miúdas populares da escola não querem ser nossas amigas. Sofremos em silêncio porque temos boas notas e somos gozadas e chamadas de marronas.

Chegamos à idade adulta e, mais maduras, desvalorizamos todas aquelas dores do passado por serem patéticas. Mas ficamos frustradas porque não temos dinheiro para fazer o investimento que queremos. Ficamos tristes porque para o conseguir deixamos muitas das coisas que nos faziam bem. Damos por nós a trabalhar num local que não tem nada a ver com o que almejávamos e a ir abaixo porque alguém superior não valoriza o nosso trabalho. A ditadura de beleza deita-nos ao chão porque não temos as medidas perfeitas (?!?) das modelos das Victoria’s Secret. E o pior, somos impotentes perante a dor e a doença dos que nos rodeiam e a quem queremos bem.

Talvez a esta hora já deveríamos saber que nada é garantido nesta vida. Que quem nasce só tem uma única certeza é a de que também morre. E mesmo sabendo que é o que nos espera sofremos, revoltamo-nos e entristecemos quando isso acontece.

Talvez a esta hora seria uma boa altura de deixarmos de nos sentir mal pelo que não temos e começar a agradecer tudo o que vivemos. Agradecer as pessoas maravilhosas que passam por nós e lá continuam. Agradecer os lugares que temos oportunidade de conhecer. Agradecer aqueles momentos que nos arrepiam todos os pêlos dos braços. Agradecer por respirar.

Se à morte ninguém escapa talvez seja hora de aprender a viver com isso, a arriscar mais e a vencer os nossos medos. Talvez seja hora de ter tranquilidade no coração, calma na alma e confiança em nós e no que valemos. Em aproveitar o lado bom da vida e a viver de consciência tranquila que enquanto cá estivermos fazemos o que for possível para valer a pena.

Ainda vou a tempo de vos desejar bom ano?

P.S. É bom estar de volta. Nem que seja só com um post :)