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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Sex | 03.01.14

Entrevista Daniel Oliveira

RP

Em Novembro passado estive na apresentação do livro "A Persistência da Memória" de Daniel Oliveira em Viseu. O enredo passado entre três locais, Lisboa, Nova Iorque e Rio de Janeiro dá-nos a conhecer a doença da personagem principal algo raro chamado de Síndrome de Memória Superior, ou seja, Camila é uma mulher que não se esquece de nada pelo que passou. Todos os sentimentos negativos ou positivos estão-lhe cravados na memória como se os vivesse pela primeira vez. No fim da apresentação estive um pouco à conversa com o comunicador.


Raquel Evangelina- O Daniel fala tão bem do universo feminino neste livro como se fosse mesmo uma mulher. Como consegue? Qual é o segredo?

Daniel Oliveira- Não sei se há um segredo. Acho que exige talvez uma atenção especial a esse universo, que é um que me fascina particularmente e tentar olhar um pouco para além daquilo que é visível, óbvio. Portanto eu procuro

sempre olhar para o que é mais complexo e como universo feminino é algo que, como já referi, me fascina acho que estavam reunidas as condições para que eu optasse por este caminho.

 

R.E.- Houve alguma pessoa em especial que o inspirasse para a criação da Camila?

D.O.- Não. Partiu da minha cabeça, não há ninguém em especial para a Camila. Esta personagem não existe mas existe em cada uma das mulheres, em alguns traços que ela tem, em algumas formas como ela reage a muitas situações.  Acho que também está relacionado com o olhar que eu tento ter sobre determinadas coisas mas neste caso com uma pessoa que não existe. Nesse sentido a inspiração é tudo aquilo que acontece, basicamente todas as pessoas que eu conheço e tudo aquilo que vivi.

 

R.E.- Existe uma personagem, a Eva Lacerda, que sofre de alzheimer. Foi mesmo de propósito para haver o confronto entre uma que se lembra de tudo e outra que pouco se recorda?

D.O.- Sim. A ideia foi ter os dois extremos da questão da memória, de perceber que a felicidade se calhar está sempre no meio das coisas, no equilíbrio que nós temos das coisas e da vida. Uma mulher que se lembra de tudo não consegue ser feliz e uma que se vai esquecendo de tudo também não consegue. Nós somos a fatia do meio, basicamente, é nesse equilíbrio e na forma como nós conseguimos criar essas memórias para aqueles que nos são próximos que está a nossa felicidade ainda que por vezes não nos apercebamos disso na voracidade do dia-a-dia.

 

R.E.- Se até então havia os livros da “Alta Definição” agora o primeiro romance. De alguma forma o “Alta definição” tem também um espelho neste livro?

D.O.- Não, quer dizer só se for pela intensidade das emoções. Acho que as pessoas que me costumam ver no “Alta Definição” vão reconhecer um traço de intensidade de emoção em cada uma das emoções, sejam positivas ou negativas, que é muito presente. Há essa coerência que eu gosto de colocar nas coisas que faço. As coisas têm nervo, têm intensidade, daí pode haver uma identificação.

 

R.E.- As histórias com que se cruza no programa também serviram para o livro?

D.O.- Não. Houve muitas histórias do “Alta Definição” que me marcaram mas não para o livro.

 

R.E.- O livro tem tido um sucesso fantástico. Estava à espera?

D.O.- Quando estava sozinho a escrever em casa nunca imaginei que a repercussão pudesse ter esta rapidez sobretudo e este impacto junto do público feminino. Sabia que a história era forte e que tinha ingredientes que pudessem entreter as pessoas que é um dos principais objectivos do livro. É também um dos principais de quem compra um livro, ter um bom momento. Não há leitura sem prazer. Tem sido muito reconfortante perceber a forma como as pessoas têm reagido a esta história e a estas frases, a forma como leem o livro, o facto de o lerem todo de uma vez ou devagar porque o querem saborear ou porque querem acompanhar com um copo de vinho tinto ou com um chocolate. É tudo muito surpreendente para mim, nunca tal me passou pela cabeça.

 

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