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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Sab | 28.12.19

Ainda sobre o Natal#2

RP

Este ano fui também desafiada a fazer um artigo para o Jornal A Verdade sobre o que é para mim o Natal.

O Natal é um sentimento é a crónica que escrevi e que partilho convosco hoje.

Quando chega a época natalícia, torno-me repetitiva mas, conto sempre esta história. Houve um natal que o meu padrinho trouxe 3 emigrantes do leste para cear connosco. Conheceu-os no seu restaurante. Eram da Ucrânia e trabalhavam nas obras do Porto, na altura a preparar-se para ser Capital Europeia da Cultura, e almoçavam lá todos os dias. Perguntou-lhes se iam a casa para o Natal, responderam que o passariam no contentor em que dormiam e o meu padrinho com pena apareceu com eles, sem avisar ninguém, na noite de consoada. Na altura oferecia-se prendas a todos.

No meio da troca, a minha prima, que já ia avisada que eles estariam presentes precaveu-se e levou uma para cada um. Primeiro o choque quando ouviram o nome, depois as lágrimas de comoção ao verem que também tinham direito a receber algo. O que era? Um par de meias. Mas isso foi o menos importante.

Nesse natal, com aquele exemplo, aprendi o que em parte já sabia. Que um gesto que o outro tem connosco vale mais que qualquer presente debaixo da árvore. Já passei alguns natais com sorriso de fachada porque apesar de ter imensas prendas, e eu gosto bastante de as receber, não tive os votos de Boas Festas de quem queria.

Que por muita alegria e partilha que houvesse à minha volta faltava algo, ou alguém. É cliché dizer que o melhor presente é estar presente mas para mim é verdade. Traz muito mais alegria saber que alguém querido se lembrou de nós. Traz muito mais alegria termos quem mais gostamos à nossa volta. Mesmo em pequena delirava com o natal e ficava super feliz com os presentes que me davam mas se o meu pai, na brincadeira, dissesse que este ano não íamos passá-lo à aldeia, na altura morávamos em Leça da Palmeira, chorava porque não ia brincar com os meus primos. Não ia ter o calor da família toda reunida e a mesa farta de comida, risos e amor. E assim o natal perdia o encanto.

E é assim nos dias de hoje. Tenho amigos fantásticos que acertam sempre nas prendas, adivinham o que gosto ou o que preciso. Mas todo o amor e carinho deles e da minha família nem sempre é suficiente. Depositamos esperanças em terceiros e achamos que a nossa felicidade depende deles. E depois como não recebemos qualquer resposta, mesmo que já o soubéssemos, ficamos tristes e sem grande vontade de celebrar.

Também há o contrário. Há anos que de tão felizes andamos a cantar o “Last Christmas” já no início de novembro, somos todos sorrisos e votos de Boas Festas a quem passa por nós na rua. Estamos assim porque sabemos que as prendas serão melhores? Não estamos assim porque temos quem queremos por perto. Porque nos sentimos amados e queridos. Porque o natal é um sentimento. O natal é um sentimento. Podem dizer que as pessoas nesta altura são mais falsas e hipócritas eu prefiro acreditar que estão mais sensíveis. Que sentimos mais a falta dos que achávamos que teríamos ao nosso lado. E talvez por isso valorizamos mais quem nos rodeia, quem ainda está connosco.

O natal é um sentimento. O natal são as lágrimas a escorrer pela cara do Oleg (infelizmente não me lembro do nome dos outros dois) a demonstrar gratidão por alguém se ter lembrado dele e atenuado a dor de não estar com a família. O natal é um sentimento. É o sentimento da partilha, é o sentimento de amor, é até o sentimento de magia, basta acreditar. Que tenham um natal mágico e com amor. Com surpresas e risos de criança.

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