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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Dom | 28.10.18

É fácil ser mulher?

RP

No passado dia 5 de Outubro, Nadia Murad foi uma das vencedoras do Prémio Nobel da Paz. Para quem desconhece o nome, Nadia é iraquiana e Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico de Seres Humanos das Nações Unidas e foi vítima de abusos sexuais por parte do Estado Islâmico.

Não pretendo com esta introdução dar-vos uma lição de história ou diplomacia, até porque sou apenas uma leiga sem autoridade para tal. Pretendo apenas que façamos uma reflexão em como por vezes andamos aqui a lutar por igualdade e direitos (e acho muito bem eu própria sou defensora disso) e esquecemos que mais difícil que ser mulher no dia-a-dia em que vivemos é ser mulher em certos e determinados países.

A vida da mulher tem sido uma história de luta ao longo dos tempos. Começamos por ser considerado alguém inferior e só nos finais do séc. XIX inícios do séc. XX é que se conseguiu, a muito custo, o direito ao voto. Ainda hoje apesar de a sociedade nos considerar ao mesmo nível que os homens lutamos pela igualdade salarial e de oportunidades. Ainda há quem nos olhe como empregada doméstica e com a função de ter filhos. Sim por muito moderna que a sociedade esteja continuas a ser um bocado olhada de lado se não quiseres ter filhos. Afinal é para isso que as mulheres servem… Segundo eles.

Não é fácil ser mulher nos dias de hoje. Conseguir lutar por uma carreira e conciliá-la com a casa e a vida familiar. Há dias que dá um surto, que apetece desistir de tudo mas por enquanto lá se vai aguentando. E eu nem filhos tenho senão imaginem como seria.

Mas olhemos para estes dados:

Jihad Sexual

Em 2016, (…) o auto-proclamado Estado Islâmico executou 250 mulheres em Mossul, no Iraque, que preferiram morrer a casar com militantes do grupo terrorista, submetendo-se à “jihad sexual”. Também os familiares das mulheres foram perseguidos e, muitos deles, igualmente assassinados.” (Revista Sábado)

Lei da Xaria:

A Xaria é uma espécie de direito islâmico que é praticado em muitos países muçulmanos, segundo a qual entre outras coisas são seguidas algumas das normas que abaixo transcrevo:

“As Esposas podem ser espancadas, sob a xaria as mulheres não são iguais aos homens, mas sim consideradas inferiores. Por exemplo, de acordo com o Quran 4:34, os maridos têm o direito de espancar suas esposas se “desconfiarem de desobediência”, basta desconfiarem. As Mulheres têm menos direitos que homens, isto é, de acordo com o Quran 2:282, o testemunho de uma mulher vale só a metade do testemunho de um homem. O marido pode divorciar-se de sua esposa simplesmente declarando três vezes “você está divorciada”, na presença de dois homens adultos e mentalmente sãos, sem sequer ter que justificar sua decisão e ainda retém a guarda dos filhos. Violar mulheres cativas é permitido, os combatentes são autorizados a capturarem mulheres dos “infiéis” para usá-las como suas escravas sexuais. Casamento e Relacionamento Sexual com meninas na pré-Puberdade São permitidos.” E isto sim, enoja ainda mais que todo o resto. Relembro ainda que muitas mulheres são executadas em praça pública, sendo enterradas ficando apenas com a cabeça de fora para serem apedrejadas até à morte pelos seus “santos” maridos.

(Infos retiradas do site https://blogdoluigib.blogspot.com/2017/01/a-mulher-sob-sharia-8-razoes-pelas.html)

Mutilação Genital Feminina

“Pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres foram vítimas de mutilação genital em 30 países, afirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em relatório divulgado nesta sexta-feira (05/02), o mais completo já feito sobre o assunto. O documento traz 70 milhões de casos a mais que o estimado em 2014. Segundo o órgão, isso aconteceu porque a população cresceu em alguns lugares e porque a pesquisa passou a incluir mais dados da Indonésia, onde a prática é muito comum e onde antes não havia dados confiáveis. O relatório afirma que o montante se refere a números de procedimentos de mutilação genital realizados, prática que, “independentemente da forma como é feita, é uma violação dos direitos das crianças e mulheres”. Segundo o Unicef, três países – Egito, Etiópia e Indonésia – concentram metade dos casos. Das 200 milhões de vítimas, 44 milhões são meninas de até 14 anos. Em vários países, a prevalência da mutilação genital nessa faixa etária supera 50%. Na Indonésia, por exemplo, cerca de metade das meninas de até 11 anos já foi submetida à prática. No Iêmen, 85% das garotas são mutiladas na primeira semana de vida, segundo o Unicef. Já os países com uma maior prevalência de casos na faixa dos 15 aos 49 anos são a Somália, com 98%, a Guiné, com 97%, e o Djibouti, com 93%.” (Jornal DW, 2016)

Poderia continuar por aqui a trazer mais informação, o que não falta neste mundo são crimes contra a humanidade, crimes contra as mulheres, existe ainda o Tráfico Sexual de Humanos, os casamentos forçados de meninas adolescentes com homens mais velhos, arranjados pelos familiares, alguns deles a ocorrer na Europa… E não sairia mais daqui. Posto isto é difícil ser mulher? É, bastante. Mas enquanto vamos lutando para que nos olhem com respeito, outras nem sequer conseguem lutar para que as tratem como seres humanos dignos. Poderíamos ser nós, se não tivéssemos a sorte de ter nascido no lugar onde nascemos.

Que nunca nos esqueçamos de celebrar as nossas pequenas vitórias de afirmação enquanto mulheres, a nossa promoção no trabalho, o nosso passo dado em mais um patamar. Mas que nunca nos esqueçamos que a mulher só será devidamente respeitada, quando nunca mais nenhuma bebé for mutilada, nunca mais nenhuma menina tenha que casar e sofrer violência física e psicológica de um homem que podia ser seu avô e quando nunca mais uma mulher for apedrejada na rua até à morte pela desconfiança do marido que ela faz o que ele lhe faz a ela. 

 

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