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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Qui | 11.07.19

Entrevista Gonçalo Cadilhe

RP

Ainda a propósito do post de ontem e de ter andado a ler o livro do Gonçalo Cadilhe. Aproveitei esse pretexto para o contactar a ver se me respondia a algumas perguntas e ele, simpático como sempre, acedeu. Foi o meu artigo da passada terça feira na Bird Magazine.

Aqui fica:

RE. O Gonçalo referiu, uma altura em entrevista, um acampamento que descreve no livro “Encontros Marcados” como o início da sua vida como viajante. E como escritor? O dom para a escrita também vem desde aí?

GC. Não sei se é um dom, é certamente uma ferramenta que a necessidade me obrigou a saber usar. Percebi que conseguia financiar o meu desejo adolescente de viajar vendendo reportagens sobre as viagens. Quando fui entrando na idade adulta e tive a possibilidade de fazer da escrita de viagens a minha vida, a minha profissão, não hesitei muito. Era isso ou o fato e a gravata e picar o ponto num escritório (risos). Depois com os anos fui afinando a técnica da escrita segundo os modelos literários que gostava e os autores que admirava. Dito isto, é verdade que sempre tive boas notas na disciplina de Português, apesar de ter seguido Gestão de Empresas.

RE. Falando ainda da juventude. Se em miúdo lhe dissessem que iria “ganhar a vida” a ver meio mundo e a escrever sobre ele, acreditava?

GC. Não, não acreditava pela simples razão que não iria conseguir entender o que me estavam a dizer. Simplesmente não era possível abarcar o conceito. Cresci nos anos setenta e oitenta num país que ainda tinha uma concepção muito rígida, muito formatada das saídas profissionais. Não existia a profissão “escritor de viagens”. E a verdade é que também não existia outro conceito, o de viajante. As pessoas poderiam no máximo entender umas férias de 15 dias em Agosto em Paris ou Veneza, coisas assim. Isso era a definição de viajar. Agora, alguém andar a viajar regularmente pelo ano fora, com uma mochila às costas e escrever sobre isso e ser pago para isso e ter um vasto público interessado em seguir a viagem nas páginas de um livro, isso era ficção científica.

RE. Qual foi o local (se é que consegue escolher apenas um) que mais o marcou? Independentemente de ser pela negativa ou positiva.

GC. Não consigo escolher um apenas, e de facto o meu livro mais recente, o “Esplendor do Mundo”, apresenta uma lista de 99 lugares que mais me marcaram. E o livro fica pelos 99 precisamente para deixar bem claro que a lista não termina, isto é, numa cultura decimal como é a nossa, o dez ou o cem representam um ponto de chegada. Um 9 ou um noventa e nove representam algo incompleto. Se calhar daqui a uns anos publico o volume dois do “Esplendor do Mundo” com outros noventa e nove lugares que me marcaram (risos).

RE. O que mais me agrada na sua escrita é que transmite as emoções e descreve os lugares de uma forma clara e despretensiosa que nos faz sentir que o acompanhamos na jornada. Qual é a parte mais difícil da escrita para si? As ideias surgem naturalmente?

GC. A parte mais fácil é a ideia, pois a viajar acontecem tantas coisas que não faltam fontes de inspiração. A parte mais difícil é materializer a ideia numa escrita corrida, suave, directa e eficaz. E também que seja uma escrita coerente com o que o meu leitor espera encontrar e está habituado a encontrar num texto meu.

RE. Voltando às viagens. Hoje em dia o mundo é fácil como o título da sua obra. Mas o facto de as pessoas viajarem para todo o lado e tirarem fotos para postar nas redes sociais sem sequer prestar grande atenção ao meio em que estão inseridas nem ao que estão a visitar não banaliza um pouco o ato? Ou seja, na sua opinião, o fácil acesso das viagens não está a tirar a mística às mesmas?

GC. Sim, está. Temos que nos habituar à ideia que cada vez será mais banal viajar e que cada vez terá menos valor, menos procura a escrita de viagens. Os autores do futuro terão que “subir a parada” para conseguir impressionar, conseguir ser original. Tipo, dar a volta ao Polo Sul a pé-coxinho, ou atravessar a dorso de burro a Quinta Avenida, coisas assim, para dar sentido à viagem (risos)

RE. O que se encontra a ler neste momento?

GC. “L’Infinito tra le Note”, de Riccardo Muti. Um livro de memórias sobre a relação do maestro com a orquestra em particular, e sobre a genial vocação reconhecida a Riccardo Muti para interpretar Verdi e Mozart

RE. Qual o melhor conselho para quem se vai aventurar no desconhecido?

GC. Levar o manual de instruções “O Mundo É Fácil – Aprenda a viajar com Gonçalo Cadilhe”(risos) 

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