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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Dom | 23.12.18

Favoritos de Natal - Momentos

RP

Como já perceberam gosto de Natal.

E há sempre algo nesta época que me marca.

A minha família materna sempre teve por hábito juntar-se toda na consoada. Avós, filhos e netos. Ainda hoje o fazemos. Houve tempos em que éramos mais de 35 pessoas à mesa. Estaríamos no ano de 2000 ou 2001 e o meu padrinho apareceu na noite de consoada para jantar com 3 ucranianos.

Ninguém os conhecia, ninguém sabia que eles iam. Simplesmente apareceu lá em casa com eles. A justificação foi que eles iam passar a noite da Consoada sozinhos num contentor. Na altura trabalhavam nas obras e almoçavam no restaurante do meu padrinho. Ele perguntou-lhes se iam à terra passar com a família.  Disseram que não. Iam passar os três juntos. O meu padrinho, claro, tocado com a solidão deles, e de cabeça quente e coração grande, disse logo que vinham passar connosco, sozinhos é que não.

E foi assim que um certo Natal tivemos a família toda rodeada à mesa e três ucranianos. (e não digo a nacionalidade deles como modo pejorativo, não me interpretem mal). E sabem o que melhor me lembro nesse dia? Não me lembro das prendas que me deram, nem da roupa que usava. Nem me lembro se comi muito ou pouco.

Enquanto nós recebíamos presentes eles batiam palmas connosco. (Sim somos muito entusiastas no Natal, desembrulhamos as prendas mostramos e batemos palmas como se tivessemos recebido algum prémio, uma família normal portanto...) Entretanto a minha prima, filha do meu padrinho que sabia que eles iam, entregou-lhes um presente a cada um. Eram apenas meias, mas para eles que até aquele dia contavam ter uma noite igual a tantas outras num contentor no Porto foi como se tivessem recebido um tesouro. 

O misto de comoção na cara deles que demonstrava surpresa e gratidão. As lágrimas a escorrer-lhes pela cara. É isto que me lembro. Tão bem quanto hoje. E já lá vão quase 20 anos.

Porque no fim o que nos marca não é o que nos dão. É como nos tratam.