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As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Ter | 05.03.19

O Abel da Casa Nova

RP

O Abel da Casa Nova tem uma paciência como nunca vi. Apesar de ser homem de poucas palavras as que profere são sentidas.

O Abel da Casa Nova dá o que tem e o que não tem. Até pode reclamar que a vida não corre de feição mas na hora da verdade ajuda no que pode mesmo que isso signifique tirar à boca para dar às filhas.

O Abel da Casa Nova foi para Leça da Palmeira aos 14 anos. Viu o mar pela primeira vez e teve medo. Quis voltar atrás para a aldeia, para o seu porto seguro mas não sabia como o fazer. Viveu no farol e ainda hoje descreve com a sua memória prodigiosa as aventuras e desventuras que teve na praia da Boa Nova.

O Abel da Casa Nova era filho de sacristão. Era também filho da Albertina que devido à doença e posterior morte do marido criou os filhos sozinha ensinando-os a serem pessoas responsáveis e a não dependerem de ninguém. 

O Abel da Casa Nova nunca me levantou a voz, ou a mão. Quando era pequena se partia algo assumia a culpa para a minha mãe não me dar uma sapatada. À terça, o seu dia de folga, de manhã víamos os filmes do Bud Spencer e à tarde íamos passear para Matosinhos. Levava o bolso cheio de trocos porque já sabia que sempre que passássemos por mendigos eu pedia para ele lhes dar uma moeda. E íamos sempre comer bolinhos de bacalhau ao Citânia. Eram terças felizes.

Se o Abel da Casa Nova fosse uma palavra eu diria generosidade. Está sempre pronto a oferecer uma cavaca a quem me visita. Mostra casas de Turismo a pessoas que não entende a língua mas mete-se no carro e ensina-lhes o caminho. Está sempre preocupado se o meu cão tem comida que chegue.

O Abel da Casa Nova é bondoso. Mas não gosta de demonstrar sentimentos. Não gosta que o abrace ou lhe dê um beijinho. Se disser que gosto dele desdenha com ironia (a quem é que sairei?). Muito menos gosta de textos como este. E não vai ler isto. Ou se o fizer irá dizer que não gostou e que não tenho nada que escrever sobre ele. Mas não faz mal. Eu gosto dele assim. Parabéns pai.

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