Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

As Taras Da Lina

Geminiana de signo. Nascida à beira-mar e a viver nas montanhas. Gosto de viajar pelo mundo, pelos livros e pelo cinema. Licenciada em Comunicação. Dona de um pastor alemão. Convicta que a vida sabe sempre o que faz.

Seg | 10.02.20

Sobre o amor

RP

Fevereiro é o mês do Amor.

É o mês em que somos invadidos por corações, anúncios com casais super giros e enamorados e merchandising alusivo a amores eternos e de filme.

Quem me vai seguindo já sabe que sou apologista de celebrar o amor. Não num dia especifico. Sou mais a favor do amor sem data.

Sempre assim fui. Namorando, não namorando, sou apologista que o amor é todos os dias.

Partilho convosco um relato escrito no meu bloco de notas em 2017.

"Na mesa à minha frente na hora de almoço, sentou-se um casal na volta dos 70 anos. O senhor extremamente educado pediu-me desculpa por virar costas. A senhora perguntou se poderia levar uma das cadeiras da minha mesa para pousar a mala, disse que sim e ambos me sorriram e agradeceram. Eram tão gentis que uma pessoa até duvida se é simpatia ou falsidade. Fui observando de soslaio o desenrolar do almoço e a forma carinhosa como se tratavam um ao outro. O partilhar da cerveja, sim cerveja, por dois copos. O olhar que deitavam às notícias e o que deitavam um ao outro. A forma como sorriam quando um deles, devido à idade avançada, entornava algo do garfo. A cumplicidade e companheirismo de quem se tem, e se quer, há muito. Na televisão passava publicidade à data festiva e consumista que se aproxima. E eu que nunca liguei nada ao 14 de Fevereiro olho para o casal à minha frente e reforço a ideia. O Amor não é uma coisa que nos tire o ar e o chão de um momento para o outro. Não é também gostar de estar com alguém porque é bonito e invejável fisicamente. Não é uma foto melosa e uma actualização de estado numa rede social. Muito menos é algo que mereça ser provado com presentes caros num dia de Fevereiro, isso é consumismo. O Amor era o que estava ali. Almoçar fora juntos num dia que aparentemente não tem nada de especial. Partilhar uma vida com alguém que apesar de todos os contratempos continuou ao nosso lado, mesmo quando fomos maus, chatos e incompreendidos. Olhar com carinho e admiração para alguém que segundo os padrões da actualidade já não é jovem, desejável e bonito. Dar a mão, durante um almoço e com um guardanapo limpar a camisa do outro enquanto se abana a cabeça e diz: "Continuas o desastrado do costume!" "